UM ADEUS... UMA
SAUDADE...
Caires
ou Zé Meira para muitos e simplesmente Zé meu irmão, um ser humano incrível!
Tivemos uma
infância linda, aprendendo a dividir tudo, até uma goiaba verde arrancada no pé.
Crescemos assim, sem ambição nenhuma, a não ser o
desejo de descobrir novos caminhos. Zé era aquele menino bom que corria atrás de uma bola de pano
e nunca magoava ninguém, não mentia e era até castigado muitas vezes
por isso. Crescemos
e ficamos mais unidos, ele tinha muitas ideias, muitos sonhos e chorava quando
seu time perdia.
Veio estudar em Salvador com a cara e a coragem, arranjou logo um emprego,
fotógrafo do governador, com o primeiro
salário comprou presentes para todos. Chegava ao interior e nos ensinava
tudo o que
aprendia, abriu novos caminhos para nós, seus irmãos. Sua vida foi pautada na
honestidade, no
compromisso com as lutas sociais, na alegria constante que irradiava... O seu
amor à cultura não se restringia às constantes idas
a shows, teatros, recitais de poesia, ele fazia mais, o seu desejo era
promover eventos
que despertassem esse gosto nas pessoas. Foi assim com as semanas de cultura,
Jornada
Lindembergue Cardoso em
Livramento e os eventos no Sindicato dos Médicos. Resumindo, continuou
aquele menino bom
até a hora que a terra ficou pequena demais para o tamanho do seu coração.
Nesta peleja
virtual com o parceiro amigo José Walter (Zewalter), que nasceu nos intervalos
dolorosos, logo
após o falecimento de Zé, procuramos expressar, nessa linguagem de cordel, um
pouco da sua vida e
trajetória humanística, porque o poeta, mesmo sob a dor cortante da saudade,
ainda encontra
inspiração para traduzir em pura
poesia os sentimentos que lhe invadem a alma e se transformam em bálsamo para amenizar essa
prematura partida.
Saudades
eternas,Creusa
LOUVAÇÃO A ZÉ CAIRES MEIRA
CM- Meu irmão era alegria
Tanto bem eu lhe queria
Vem a morte e silencia
Até nosso poetar
É preciso imaginar
Modo novo de viver
Sem a dor, sem o sofrer
No quadrão à beira mar
ZW- Era festa seu irmão
Esse filho do sertão
Que partiu sem permissão
Para saudades deixar
Em todos que vão ficar
Pois não tem graça morrer
Para poder merecer
Um quadrão à beira mar
CM- Zewalter, meu grande amigo
Quero versejar contigo
Mas eu não sei se consigo
Pois estou só a chorar
Como é que vai ficar
A vida agora em diante
Com o meu irmão distante
Do quadrão à beira mar
ZW- Querida amiga, respeito
A dor que lhe fende o peito
Mas seu prostrar-se rejeito
Pois é preciso lutar
E novo alento encontrar
No caminho a percorrer
Nesse eterno vir a ser
Do quadrão à beira mar
CM -O amigo diz a verdade
Mas doi tanto esta saudade
Que parece crueldade
Deste sonho, acordar
A lembrança há de ficar
Do menino da alegria
Que era só canto e poesia
No quadrão à beira mar
ZW- Assim, minha amiga, enxergo
Nessas palavras que prego
A saudade que carrego
Desse amigo singular
Um exemplo a se imitar
Transbordante de energia
Que a todos oferecia
No quadrão à beira mar
CM -Em vida ele nos dizia
Que a grandeza consistia
Na beleza que existia
De uma estrela a brilhar
Para o caminho trilhar
Na luta por igualdade
De toda a sociedade
No quadrão à beira mar
ZW - Ele fez a trajetória
De maneira meritória
Para merecer a glória
Como um líder popular
Que ninguém há de olvidar
Na luta sindicalista
Foi um médico humanista
No quadrão à beira mar
CM - Atravessou sete mares
Construindo os pilares
Dos anseios populares
Sem medo de fracassar
Sua vida era lutar
Por justiça social
Seu sonho, seu ideal
No quadrão à beira mar
ZW- O líder não tem fronteiras
Nessas lutas costumeiras
Da igualdade, mensageiras
Como aprendeu a sonhar
Sem jamais desanimar
Navegante destemido
Rumo ao porto pretendido
No quadrão à beira mar
CM -Seu valor reconhecido
Pelo muito construído
É o que nos dá sentido
À luta continuar
Ele está a nos guiar
Iluminando o caminho
Voando qual passarinho
No quadrão à beira mar
ZW -Só se tem a vida cheia
De valores, quem semeia
Sob a bandeira que hasteia
Sementes pra germinar
E delas poder cuidar
Irrigadas de esperança
Pelo dia da bonança
No quadrão à beira mar
CM - Se a vista não mais alcança
Fica vivo na lembrança
Um penhor de segurança
Que muitos irão herdar
E quando a dor acalmar
Os frutos serão colhidos
Lançados, distribuídos
No quadrão à beira mar
ZW- “Morre o homem fica a fama”
Conforme a canção proclama
E se torna viva chama
Eternamente a brilhar
Pois não se pode apagar
As indeléveis pegadas
Pelas trilhas palmilhadas
Do quadrão à beira mar
CM - Sigamos, pois, a estrada
Por ele, iluminada
Sabendo que a jornada
É difícil de enfrentar
A força há de brotar
Deste momento sofrido
De sonho interrompido
No quadrão à beira mar
ZW - Vamos juntos,
companheira
Nessa
estrada alvissareira
Construída por Zé
Meira
Com intrepidez
sem par
Como pôde demonstrar
Com uma extrema paixão
Para cumprir a missão
No quadrão à beira mar
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